Arquivo da categoria: Movimentos Socioterritoriais

JURA – 30 Anos de Constituição e a Luta Continua

Programa da JURA II da UNIFESP – EFLCH – CAMPUS DE GUARULHOS
– 19/04/2018 & 21/04/2018 –
V Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária

I. Na tarde/noite da quinta-feira dia 19/04 no pátio

Venda de Produtos da Reforma Agrária
Livros da Editora Expressão Popular

II. Ainda no dia 19/04, 18h00 no Auditório:
Debate: “30 anos de Constituição e a Luta Continua”
4 horas complementares
Com participação de:
Clifford Andrew Welch, História, UNIFESP
Gilmar Mauro, Direção Nacional do MST
Danilo Valentin Pereira, Geógrafo, Membro do NERA/UNESP e ABRA

III. No sábado, 21/04, passeio para conhecer:
Aula de campo (8 horas complementares)
Visitas: Comuna da Terra Irmã Alberta, um acampamento em Perus e
Comuna da Terra D. Pedro Casaldáliga, um assentamento em Cajamar
Sair da Estação Armênia às 08h00,
Almoço no assentamento (colaboração recomendada)
Retorno para Armênia às 17h00

VAGAS LIMITADAS PARA A AULA DE CAMPO –

INSCREVE-SE AQUI

Grupo de Estudos da História Social do Campo
Do Núcleo de Pesquisas em História, Memória e Patrimônio do Trabalho
Por mais informações, consulta https://cliffwelch.org
Apoio: EFLCH, MST, NAE

Contato: cawelch@unifesp.br Whatsapp: +55 11 98255-1846

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MST OCUPA DUAS FAZENDAS NO INTERIOR DE SÃO PAULO

A Região Sudoeste Paulista amanheceu com duas fazendas ocupadas na manhã deste sábado, 19 de agosto: a Lageado, no município de Itaporanga, e a Consteca/Caximba, no município de Apiaí, estas áreas são de responsabilidade do governo estadual e federal, respectivamente. As atividades compõem a Jornada Regional de Luta pela Terra “Izael Fagundes”, em memória de nosso companheiro, assentado, comunicador e histórico militante do MST que faleceu em abril de 2017.

A Fazenda Lageado, com cerca de 400 hectares, em Itaporanga (SP) e a Fazenda Can Can, com 685 hectares em Riversul (SP) foram destinadas pela Universidade de São Paulo (USP) para a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo “José Gomes da Silva” – Itesp a partir do decreto 55.775, de 9 de dezembro de 2008, assinado pelo então governador José Serra. Desde 2007, as famílias do acampamento “8 de março” reivindicam o assentamento na Fazenda Can Can, nestes 10 anos de resistência enfrentam dificuldades de residir às margens da estrada municipal RVS 403, com péssimas condições de acesso , que teve por consequência a perda do ano escolar de 2016 por parte das 14 crianças que residem no acampamento. Por isso, reivindica-se que o ITESP acelere o processo de assentamento das famílias na fazenda Can Can e na fazenda Lageado.

A fazenda Caximba, também conhecida como Consteca, em Apiaí (SP) tem aproximadamente 2 mil hectares e está em processo de arrecadação judicial para pagamento de dívida do falido Banco América do Sul. A área faz divisa com o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e desde 2015 é reivindicada por trabalhadores sem terra ao INCRA, para que continuem, à exemplo do PDS Luiz Davi de Macedo, produzindo alimentos agroecológicos, em respeito ao Meio Ambiente e à vida.

Além das fazendas ocupadas neste sábado, o MST denuncia a existência de outras terras públicas e reivindica que sejam destinadas para o assentamento das famílias acampadas:

– Fazenda Can Can, ocupada desde março de 2007. As 23 famílias do Acampamento “8 de março”, já foram legalmente selecionadas conforme publicação em 4 de agosto de 2012  no Diário Oficial (Poder Executivo, Seção 1, pág. 98), e que ainda não tem a efetivação do assentamento e, portanto, não podem acessar as políticas públicas que garantam melhores condições de vida e de trabalho.

– Horto Estadual, área reivindicada pelo acampamento Nova Esperança desde 2014, para que se converta as áreas da Fazenda Pirituba, entre Itapeva e Itaberá, ocupadas pelo monocultivo de Pinus um assentamento sustentável. O projeto de assentamento vinha sendo discutido junto ao Professor Paulo Kageyama e segue com o apoio de pesquisadores da Esalq/USP.

– Fazenda Santa Maria da Várzea: localizada em Itapetininga, sendo ocupada há dez anos por quarenta famílias do Acampamento “Santa Maria da Conquista”. Neste caso a área já foi desapropriada e o INCRA já emitiu os Títulos da Dívida Agrária para pagamento de benfeitorias e segue em disputa judicial com o antigo proprietário.

– Fazenda Sapituva, em Itapetininga (SP) e Fazenda Ligiane em Campina do Monte Alegre (SP) que já foram vistoriadas e desapropriadas, mas seguem em disputa entre o INCRA e os antigos proprietários.

Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!

 

Contatos:

Magnólia: 15 99769 9420

Camila: 15 99647 6697

Cristiane: 15 9 9764 5631

Enviado por: Ana Terra Reis <anaterrareis@gmail.com>

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Caravana da solidariedade dos Kaiowá Guarani – dias 19 a 20 de agosto

Convite para participar no

Caravana Kaiowá Guarani-2

 

Visita com geógrafo e preso político Valdir

Por Anderson Antônio da Silva*

Presidente Prudente, 08 de julho de 2016.

No último dia 04/07/2016, representando o Prof. Bernardo Mançano Fernandes, todos os Pesquisadores do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária – NERA, bem como membros da Rede DATALUTA, realizei visita ao José Valdir Misnerovicz, liderança dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST no Estado de Goiás, que é mantido injustamente preso na Penitenciária do município de Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana de Goiânia.

Logo na entrada da penitenciária fomos abordados na portaria e convidados a seguir daquele ponto em diante andando. Só obtivemos a permissão para seguir de carro, pois estava em nossa companhia um senhor de 77 anos chamado Frei Marcus, membro da Comissão de Direitos Humanos, além da Sra. Rosasa, ex-esposa do Valdir, e sua filha de 11 anos Inaiá.

Assim que nossa entrada na penitenciária foi liberada, fomos recebidos pelo Valdir que se encontrava sentado em um cadeira, logo após a portaria onde fica o Raio-X, local onde a câmera da penitenciária e o microfone conseguiam monitorar nossa conversa.

Valdir fez licenciatura e o bacharelado no curso de Graduação em Geografia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Campus de Presidente Prudente, entre os anos de 2007 – 2011. Valdir foi um dos jovens beneficiados pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA.

O primeiro abraço ao companheiro Valdir foi dado por sua filha Inaiá. Valdir afagou Inaiá em seus braços com um abraço bem apertado. Inaiá inevitavelmente se emocionou e Valdir em tom serene disse para ela que em breve o Papai iria embora daquele lugar. Na sequência ainda com a Inaiá afagada em seus braços, começou a planejar junto dela as férias do final de ano.

Na sequencia sua ex-esposa Rosana e eu o abraçamos. Rosana entregou a ele alguns livros e eu uma cópia impressa do último boletim DATALUTA e uma carta escrita pela companheira Valeska Gálvez Huinca, pertenezco ao povo Mapuche, estudante do último ano de Pedagogia em Inglês da Universidade de Playa Ancha, no Chile, que participou da Escola de Inverno da AUGM que aconteceu em Presidente Prudente – Região do Pontal do Paranapanema entre os dias de 20 a 24 de junho.

Durante a visita fomos informados que após uma conversa de lideranças do MST com o Governador do Estado de Goiás Marconi Perillo, ele disse não saber como poderia ajudar. Contudo, no mesmo dia Valdir foi visitado a pedido do governador por um oficial de patente. Na sequência removeram Valdir de sua cela, e desde então Valdir tem ajudado na cozinha e na horta da Penitenciária. No momento divide um quarto com mais 5 colegas. Liberaram a entrada de qualquer tipo de comida para o Valdir e do seu Mate para chimarrão, Como estamos falando de uma penitenciaria e não de um hotel, no que pese seu acesso a estas amenidades, Valdir continua injustamente preso, e sobre a alegação de ser líder de uma facção criminosa, fato que beira o absurdo.

Enquanto estávamos em visita, uma moça que aparentava ter uns 30 anos de idade, muito bem vestida, que não sei dizer o nome nem sua posição hierárquica dentro da penitenciária, passou por nós e disse: “Valdir, você é muito famoso, nem políticos recebem tanta visita como você”. Neste instante, Valdir em voz branda respondeu: “Dra. é porque não era para eu estar aqui”.

Nos minutos finais de nossa visita, Valdir nos disse que tem estudado muito, mas que tem esperanças que sairá de lá antes de terminar a leitura do seu próximo livro. No que pese o microfone que monitorava toda nossa conversa, Valdir disse que tem sido muito bem tratado, que ninguém tem judiado dele, que o tratamento na Penitenciária é bom, e que quando sair seu comunicado de liberdade sairá correndo de lá sem olhar para trás, pois não faz questão nem de levar seus pertences.

Durante o trajeto percorrido até chegar a penitenciaria, durante todo o tempo que permanecemos em visita, durante o retorno para casa e até o momento que escrevo este texto, fico me perguntando, como pode o regime Democrático brasileiro tratar os movimentos sociais, vanguarda da sociedade, como uma organização criminosa, a partir da Lei Nº 12.850, de 2 de agosto de 2013, ao passo que os verdadeiros criminosos e corruptos deste pais estão soltos. Embora a correlação de forças não seja favorável, essa lei precisa ser urgentemente revista.

Em nossa despedida sua filha Inaiá orgulhosa do pai, novamente se emocionou. Uma agente penitenciária chamada Sônia passou a mão em sua cabeça e disse: “minha linda, logo tudo irá se resolver”. Eu, a Rosana, o Frei Marcus e a jovem Inaiá, nos despedidos todos do Valdir, e naquele momento tive a sensação que o visitado naquela tarde havia sido eu, pois a força do Valdir como liderança me fez sair de lá mais forte do que entrei, mas confiante, mas convicto que continuar na luta por um mundo diferente além de valer a pena é possível. 

  • O autor é pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária – NERA da UNESP – Presidente Prudente, onde ele também recebeu sua formação como geógrafo e mestrado em Geografia, projeto co-orientado pelo Cliff Welch.

Valdir: Militant do MST feito preso político em Goiás

On May 31, 2016, Valdir Misnerovicz, an important and effective organizer of the Landless Workers Movement (MST) in Brazil was arrested while teaching a class on agricultural coops in Veranópolis, a city in the southern state of Rio Grande do Sul. The arrest did not stem from his lectures, but from his activism. To organize the poor to occupy land in the name of fulfilling Brazil’s constitutional mandate to ensure the “social function” of land through its appropriation and distribution among peasants is considered illegal gang activity by the government of Michel Temer, which came to power last month in what many consider to be a coup d’etat.

The news of Misnerovicz’s arrest came a few days after a related revelation. In March, two high level members of the opposition against President Dilma Rousseff (PT), whose power was recently suspended as she awaits impeachment proceedings in the federal senate, were recorded while discussing the current political crisis. Senator Romero Jucá was taped assuring his colleague that he had recently spoken with “the generals, military commanders.” He went on, “Everything is fine, they told me they would ensure order. They’re monitoring the MST, I don’t know how, to ensure there won’t be any disturbances.” (See < http://m.folha.uol.com.br/poder/2016/05/1774018-em-dialogos-gravados-juca-fala-em-pacto-para-deter-avanco-da-lava-jato.shtml> Jucá, who recently resigned as minister of planning in the coup government due to these revelations, is the vice-chair of the Brazilian federal senate.

In addition to dedicating years to the landless movement, Misnerovicz recently completed a bachelor’s degree in geography at the State University of São Paulo (UNESP), where he studied in a special undergraduate program for peasants sponsored by the ousted Workers Party (PT) government. The author of this note was a professor in the program and Misnerovicz’s thesis advisor was Bernardo Mançano Fernandes, another LAP contributing editor. Misnerovicz studied the new demands for organizing the landless movemtne among Brazil’s urban poor.

The arrest of Misnerovicz on criminal charges demonstrates what Jucá may have meant when he said that the “generals” claimed to be “monitoring” the MST. While the warrant for Misnerovicz’s arrest was issued in the state of Goiás, where Valdir lives and works, his arrest occurred over a thousand miles away in a different state and was carried out by local police, indicating systematic communication and intelligence gathering in the execution of police work reminiscent of systems developed under Brazil’s long-lived dictatorship (1964-1985). This same system used such arrests to generate information through torture – recently confirmed in Red Cross documents from the period. These suspected connections increases the urgency for guaranteeing Misnerovicz’s quick release.

Please write to < sri@mst.org.br > expressing concern over Valdir’s arrest and urging his quick release. Struggling for agrarian reform in Brazil is not a crime, it is a constitutional duty.